Um 'aliás' às onze da noite reabre mais processo arquivado que advogado em fim de mês.
Montzel Wines · Entrada
Volta quando puder. A gente guarda os rótulos.
Venda proibida para menores de 18 anos · Aprecie com moderação · Se beber, não dirija
Aliás e Outrora · Portugal · V Puro
Um 'aliás' às onze da noite reabre mais processo arquivado que advogado em fim de mês.
Mais charmoso que mandar 'oi sumido', menos comprometedor que assumir que era isso.
Aliás e Outrora carregam vocabulário de quem manda mensagem com vírgula, reticências e intenção. O Aliás sai na versão DOC, pensado pra abrir sem cerimônia; o Outrora aposta no Clássico, com Baga de cara de outro tempo. São nomes que parecem nota de rodapé de uma história mal resolvida.
Baga da Bairrada, encorpado, com aquele ar de outro tempo que a região carrega sem esforço. Você ainda nem serviu a taça e o rótulo já puxou a conversa.
Branco mineral e tinto de Baga com estrutura, frescor e pegada artesanal. Mais contemplativo, mas sem virar palestra.
Aquele reencontro que os dois juram ser só um café, e ninguém acredita, muito menos eles. O nome já avisa que a conversa vai voltar pra onde parou.
Jantar na casa de quem ensina todo mundo a servir vinho: chega com este e deixa o nome puxar conversa por você.
Aniversário de quem organiza a estante por cor e não leu metade dos livros. 'Outrora' combina com a prateleira e com a pose.
Encerra o assunto, some, e volta dez minutos depois com um 'aliás'. O presente certo pra essa pessoa, e pra toda conversa que se recusa a morrer.
Pra pessoa que fala difícil, paquera antiga que perdeu o timing e amigo que escreve "outrossim" sem estar brincando. Também serve pra quem manda "aliás..." e claramente quer reabrir um processo emocional.
Pra chefe que assina e-mail interno com 'outrossim' e 'venho por meio desta': entregue só se a vaga nova já estiver com proposta na mesa.
Pra quem repete a mesma glória de dez anos atrás em todo churrasco. 'Outrora' é o brinde certo: ao que passou e ninguém pediu de volta.