Comprar por ocasião
Chefe e trabalho
Engraçado na medida, profissional o suficiente.
Ele já decide o restaurante, o filme e a vida dos outros. Esse vinho é o crachá que faltava.
Chegou na sua casa e já mexeu no ar-condicionado, na música e ainda alinhou os quadros tortos.
Dinamo. Transforma domingo à tarde em segunda de manhã.
O jeito mais fino de dizer que alguém se leva a sério demais.
Entregar um Aristocrático é confessar que você reparou na pose. E decidiu financiá-la.
Roma dividiu um império entre três. Seu churrasco divide entre quem acende, quem vira e quem só palpita.
Toda segunda jura mudar o país, a dieta e o próprio horário, e some até a segunda seguinte. Manda o Messias: pelo menos ele cumpre o que promete pra hoje à noite.
Resolve o país no grupo da família, invoca o Jair no meio da discussão e some na hora de dividir a conta. O Messias é o milagre que ainda paga o próprio boleto.
Dá palpite no casamento dos outros, na carreira dos outros e no time dos outros, mas empaca na própria fatura. O Messias lembra que até salvador tem boleto vencendo.
Virou coach, cobra pra salvar a sua vida e não salva a própria planta. O Messias entrega o único milagre que prometeu: vinho na taça.
Messias na garrafa. Dá pra brincar com Jesus, com Jair e com aquele amigo que promete salvação toda segunda-feira.
Ele se acha a salvação da mesa. O vinho só pede que ele deixe os outros falarem primeiro.
Salva o Brasil no grupo da família. A própria segunda-feira, nunca.
Dar um Messias de presente é apontar, com todo o carinho, o salvador da pátria da mesa.
Boleto no próprio nome, geladeira com ketchup e energético, e a convicção de que já é adulto. Este vinho não desmente.
É o único da família cujo áudio de três minutos todo mundo escuta até o fim.
Não achou? Descreva a pessoa.
Você não precisa entender de vinho. Conta pra quem é o presente; o Curador aponta a garrafa.